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A difícil tarefa de fazer um jornal de qualidade sem um centavo no bolso Destaque

A difícil tarefa de fazer um jornal de qualidade sem um centavo no bolso

A difícil tarefa de fazer um jornal de qualidade sem um centavo no bolso

Geovane José Leandro*

Um vício, uma cachaça. Sempre ouvi  isso da boca de quem ensinou-me a trabalhar nas ondas do Rádio. Rádio é cachaça... repetia !! O mesmo atribuo ao Jornalismo, algo nato, viciante, uma verdadeira cachaça que corre no sangue, nas veias. Talvez seja por isso que qualquer jornalista que se preze, sendo formado ou por vocação, como preconiza o Supremo Tribunal Federal, jamais deixa de lado o delicioso vício de investigar, apurar, correr atrás da informação e por fim, ter a grata satisfação de escrever e contar com inúmeros, milhares de leitores. E hoje, mais do que nunca, com a expansão das informações no meio digital, em especial, nas redes sociais, não é que todo mundo pensa que é fácil ser jornalista ?!

Ledo engano, aí é que entra o nosso papel. O papel da responsabilidade no ato de escrever. Responsabilidade de se fazer acreditar, de dar retorno à sociedade, aos anseios que esta possui e que por vezes, jamais terá voz, será ouvida. Talvez esteja aqui, o prazer de virar as noites redigindo, pesquisando, gastando a gasolina que não tem em busca de um “taquinho” de informação. Mas que seja verídica, que produza efeito junto à comunidade. De perceber que por mais simples que seja a notinha publicada, possa trazer resultados mais que positivos na vida de um leitor. Na transformação de um povo, de uma cultura, de uma cidade.

Mas por vezes, este calor afoito de escrever esbarra nas dificuldades que a própria cidade impõe. Como “rodar” um jornal impresso, com periodicidade mínima de 30 dias, ou manter um site noticioso borbulhando de informações, com as “quentinhas” da hora, se a cidade não aposta, não acredita, não apoia, vira as costas para aqueles que lutam em prol desta mesma cidade ?!

Como escrever, se não por mera paixão, quando se vê em uma cidade rica como Cristalina, os empresários e comerciantes e até mesmo o Poder Público, investindo em veículos de comunicação de Brasília, Goiânia, e até mesmo de onde o Judas perdeu as botas, enquanto os apaixonados pelas letras e informação que moram, acreditam e investem na Serra dos Cristais, têm que ficar de porta em porta, passando o pires, na humilhação em busca de um mero patrocínio.

Inúmeras são as vezes que escutamos – “Não vamos anunciar, não... estamos em corte de gastos, quem sabe o próximo mês.” Ora bolas !! Coloquem de vez na cabeça uma coisa, publicidade não é gasto, é investimento. E sendo mais velho ou não, você empresário, comerciante, mega empresário ou dono do botequim da esquina, já deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida, a expressão do Velho Guerreiro, Chacrinha – “Quem não comunica, se trumbica.” E esta é a mais pura verdade. Quem não é visto, não é lembrado !

Então, não adianta nada, ficarem aí posando de bons moços, investidores de Cristalina, se não dão o mínimo valor às coisas daqui, às verdadeiras pratas da casa.  E o pior, não estou falando apenas de valorizarem a imprensa local. Falo também dos inúmeros comércios que aqui se instalaram e em poucos meses fecharam as portas. E qual seria o motivo ? Quem sabe porque os próprios cristalinenses não souberam valorizar desde a loja que vendia produtos de utilidade a 1.99, ao projeto de cinema ou escola de arte que outros sonhadores cristalinenses tentaram implantar na cidade?! Estudar fora se torna mais viável na preservação do falso status quo, a valorizar os cursos e faculdades que a cidade possui.

Eu, por exemplo, ao comprar meu veículo, este tinha placa de MG. De pronto, a primeira coisa que fiz, foi transferir a documentação para Cristalina. Afinal, é aqui que moro, e luto para que a cidade cresça e se desenvolva. No entanto, não percebo este bairrismo em muitos que nasceram ou que para cá vieram. Pois é muito mais fácil, anunciar ou pagar milhares de honorários aos papagaios de pirata que por aqui aterrissam. Anunciando em publicações falaciosas e sem circulação na cidade. Em revistas que trazem na capa, modelos que de nada constam da terra dos cristais e da agricultura, enquanto a cidade transborda de mulheres bonitas e elegantes.

Esta é a Cristalina que amamos, mas que não valoriza o que é da casa. Por estas e outras, continuarei lutando no labor do Magistério  e escrevendo nas horas vagas, pelo simples deleite de que um dia a Serra acorde e invista em todos aqueles que querem o melhor para esta cidade. Afinal de contas, um filho seu não foge à luta !!

Geovane José Leandro – Professor e Jornalista

Editor - Chefe do site GW Comunicação.

Última modificação emQuarta, 12 Outubro 2016 00:02
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