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O GW viu, gostou e indica – Tô Ryca ! Destaque

O GW viu, gostou e indica – Tô Ryca !

Para aqueles que insistem em pensar que o cinema brasileiro continua sendo o mesmo da época das pornochanchadas, ou com os roteiros sem pé nem cabeça dos anos 70. Enganam-se, a produção nacional tem investido e muito nestes últimos anos, em especial ao se tratar do gênero comédia. A conferir, nas telonas desde o último final semana, mais um daqueles bons filmes que lhe deixa com dor no queixo, de tanto rir. Falo exatamente de Tô Ryca. Protagonizado por Samantha Schmütz, a atriz que tem trânsito livre na comédia televisiva, leva para as telonas o talento e uma história gostosa de se ver.

Para tanto,  primeira coisa que se pensa ao ler o enredo de Tô Ryca é que mais uma vez vamos ver um filme falando de alguém pobre que ficou rico e principalmente no cinema nacional isso não é novidade. Em tempos de crise, o desejo de ficar rico até fica mais forte. No entanto, apesar de uma história já batida, Tô Ryca nos ganha com piadas bem inteligentes, com um ótimo sarcasmo sobre pobreza que fica difícil não ter uma identificação com os personagens. Sem falar porém, da visível crítica à política e aos políticos.

Selminha (Samantha Schmütz) é uma mulher solteira, pobre, cansada de pegar dois ônibus lotados todo dia pra trabalhar e ter que aguentar o chefe folgado. A personagem é o estereótipo da pessoa trabalhadora, cansada de ser explorada, mas o melhor da sua vida é sua amizade com Luane (Katiuscia Canoro), uma moça mais conformada que está passando por problemas com o namorado. Tudo muda quando Selminha descobre um tio que está morrendo e vai deixar com ela uma enorme herança, mas para ter acesso ao dinheiro ela precisa passar por um grande desafio: gastar 30 milhões em um mês! É claro que todos nós achamos que isso é fácil, mas é preciso cumprir algumas regras: não pode contar a ninguém, não pode adquirir nenhum bem e apenas uma pequena parcela do dinheiro pode ser gasta com doações e jogos de azar. Ou seja, Selminha precisa mesmo torrar toda a grana e a princípio ela faz isso muito bem: festas, bebidas, comidas, roupas, salão de beleza, esportes radicais, enfim, tudo que é possível. Porém, quando Luane se cansa da vida de riqueza sem o namorado, Selminha fica bastante perdida. Sem a amiga nada faz muito sentido.

Durante toda a trama vemos Selminha realizando seus sonhos enquanto Luane só quer seu grande amor, sendo a personificação daquela máxima que diz que dinheiro não é tudo, dinheiro não compra felicidade e toda aquela hipocrisia criada pela sociedade só pra gente se conformar em ser pobre. Entendo que Luane queira o namorado, que sinta falta dele, mas se ele estivesse com ela o tempo todo, ela não iria reclamar do dinheiro, por isso, não me convence. 

No entanto, as duas personagens possuem uma amizade forte, muito bem construída e que segura boa parte da trama, bem como situações engraçadíssimas em que a atriz Samantha Schmütz consegue mostrar a todos seus brilhantismos como comediante. Selminha e Luane são exemplos de que ainda bem que é mais fácil tirar alguém da comunidade, do que a comunidade da pessoa. Não importa o quanto você ganhe, aceitar suas raízes é o que vai te deixar mais feliz. Só vamos combinar que com dinheiro é infinitamente melhor, porque de fato ser rico com os amigos na periferia é muito melhor do que ser rico sozinho num palácio.

Assim, indo a Brasília, Goiânia, Valparaíso, Luziânia ou qualquer outro local que tenha uma sala da Sétima Arte, esqueça um pouco a fatigante rotina, e vá com os filhotes acima de 12 anos, amigos, esposa e colegas, deliciarem de boas risadas com esta turma pra lá de especial e descubra neste longa, o que de fato faz sentido em sua vida ! Boa sessão a todos... (GW – com apoio Do que tem na estante / Imagem - Divulgação).

Assista ao trailer :  https://www.youtube.com/watch?v=Fm9_T-5wWqU 

E como se não bastasse toda a dicotomia rico vs pobre, o filme ainda trabalha com assuntos políticos, já que Marcelo Adnet é um político de extrema direita chamado Falacio Fausto, nome bem sugestivo. Falacio é a caricatura do Bolsonaro e temos aqui uma crítica explicita aos políticos ditos conservadores. E vale destacar a cena do debate político com o tema C*, que foi a melhor cena do filme, com certeza.

Tô Ryca não foge de velhas lições de moral, mas o final não mostra hipocrisia por parte de Selminha, o que me agradou bastante. Quem já assistiu Minha Mãe é uma Peça eVai que cola vai conseguir perceber claramente o humor cheio de sarcasmo do roteirista Fil Braz, que particularmente me agrada bastante, apesar de ser uma produção bem simples.

Última modificação emSegunda, 10 Outubro 2016 21:54
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